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8 de out. de 2019

Fomos indicados ao Prêmio Jabuti! (Lista do Zé #25)


Olá, olá!

Cangaço Overdrive é um dos 10 finalistas na categoria História em Quadrinhos do Prêmio Jabuti, a maior premiação literária do Brasil. Só assim para eu tirar as teias de aranha dessa lista de e-mail. Juro que tentei várias vezes, em vão, sentar e pensar no meu texto #25, que a princípio seria lançado no dia 22 de agosto, em comemoração ao Dia do Folclore, com indicações de obras nacionais que exploravam temas brasileiros. Mas isso vai ficar pra próxima, por que eu fui indicado ao Prêmio Jabuti, porra! Tô bem feliz.

E é meio maluco, por que muitas coisas rolaram nesses últimos meses no cenário fantasista nacional e, sei lá, talvez tudo esteja ligado. Em agosto, estive em dois eventos literários: na Flipelô (em Salvador) e na Bienal do Livro do Ceará (que rolou em Fortaleza). Na Bahia, estive numa mesa com o quadrinista baiano Hugo Canuto (criador do quadrinho Contos dos Orixás) e em Fortaleza estive com o escritor potiguar Marcio Benjamin (especialista em terror com elementos nordestinos, autor do recém lançado Agouro) e ainda com o podcaster Rildon Oliver (Cosmonerd) e o professor/escritor/rpgista Dmitri Gadelha. Os temas foram bem parecidos: o impacto de se utilizar elementos brasileiros na escrita de ficção. No caso das mesas com o Hugo e o Marcio, formos ainda mais específicos: focamos nos elementos nordestinos.

Já tinha bastante coisa para começar a divagar a respeito, mas algumas bombas estavam para explodir. A primeira numa polêmica envolvendo uma série de ilustrações do artista gaúcho Vitor Wiedergrun, que tentava reimaginar elementos do cangaço num cenário futurista. Num texto da escritora Lídia Zuin, o nome da série de ilustrações do Vitor, Cyberagreste, vira nome de um movimento estético/literário. Foi o suficiente para uma sequência de textos (e textões) de nordestinos questionando pontos desta reportagem, que não tinha os principais interessados na história envolvidos: os nordestinos. Embora eu não tenhamos participado desse texto, Cangaço Overdrive é citado por lá, como tem estado na maior parte dessas discussões. Dessa história surge o Sertãopunk, um contraponto e quase um manifesto sobre o cyberpunk com o nordeste como cenário. Essa visão seria ardorosamente defendida por vários escritores nordestinos, com destaque para a cearense G.G. Diniz e os baianos Alan de Sá e Alec Silva. Veja só, eu entendo todo o sentimento do Vitor e da Lídia em suas produções e toda a boa vontade que está lá. Mas os questionamentos da Gabriele, do Alan e do Alec são muito válidos. Escrevi um texto para o blog da Draco falando mais sobre o sertãopunk.

E espera aí, que tem mais um ingrediente para acrescentar no caldeirão: num texto para a Folha de S. Paulo, o escritor Santiago Nazarian joga um balde de água fria nos escritores de literatura especulativa brasileiros. Nazarian escreve que esse tipo de literatura vive sempre um sentimento de que está prestes a decolar no mercado, mas que nunca chega a lugar nenhum de fato. E, claro, existiram os contrapontos, com destaque para a excelente thread no Twitter do Bruno Mantagrano e o texto escrito também para a Folha pelo escritor Samir Machado de Machado.

Ficam os links, por que ler sobre estes pontos pode ser um negócio muito enriquecedor, ainda mais se você está se propondo a ser um escritor no Brasil. Tem gente bem mais inteligente do que eu falando aí e se tem algo que eu aprendi é que ler pessoas inteligentes é um jeito de ficar um pouco mais inteligente também.

O fato é que a indicação do Jabuti chega num momento bem interessante, bem no meio dessa efervescência, onde a nossa ficção especulativa vai ganhando seu espaço entre os leitores brasileiros. Sou um cara bem novo nesse cenário e seria muito arrogante da minha parte ignorar todo o trabalho das gerações anteriores, que vem lá desde 1899, com o romance A rainha do Ignoto, da cearense Emília de Freitas. Mas eu consigo enxergar algumas bolhas sendo furadas.

Com o alto nível dos concorrentes, é difícil dizer se sigo nas próximas etapas do Prêmio Jabuti, mas fico feliz de ter conseguido chegar até aqui com um quadrinho distópico, que nada mais é do que o resultado do nosso incômodo com o cenário de retrocesso atual e um questionamento sobre os avanços destrutivos do capital. E, principalmente, uma ode à jornada do nordestino. Perdi o 22 de agosto, mas ganhei o privilégio de publicar esse texto hoje, no dia em que comemoramos os 110 anos da data de nascimento de um dos maiores poetas populares da história desse país, Patativa do Assaré. Poeta, subversivo e uma das grandes influências na criação de Cangaço Overdrive, Patativa vive em suas ideias e ideais.

Eu gostaria de agradecer a toda a equipe envolvida em Cangaço Overdrive por possibilitarem que chegássemos até aqui. Não poderia esquecer do apoio imprescindível da Editora Draco e de todos os amigos e familiares que vem ajudando a disseminar o quadrinho.

Sigamos lutando.


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DICA:

Se você ainda não tem a obra, aproveita que ela está com 30% de desconto no site da Editora Draco. Por tempo limitado!

25 de mai. de 2019

Cordel de Cangaço Overdrive + indicações brasileiras steampunk (Lista do Zé #23)


Olá, olá!

Antes de te indicar alguns produtos brasileiros steampunk, preciso te dizer que já está à venda Steampunk Ladies: Choque do futuro, minha nova história em quadrinhos! Clique na imagem para garantir a sua agora!

https://editoradraco.com/produto/steampunk-ladies-choque-de-futuro-wellington-prado-santos-pinheiro


 
Em comemoração, preparei um pequeno guia com a indicação de algumas outras obras recentes nacionais na temática steampunk, pra você ir entrando no clima enquanto meu novo quadrinho não chega na sua casa.

Além disso, falo sobre minha primeira publicação em literatura de cordel: Cangaço Overdrive: Passado e futuro. Este cordelzinho foi distribuído para quem comprou minha HQ Cangaço Overdrive na CCXP 2018 e agora é a sua vez de ter acesso em formato PDF. Vale dizer que não tem spoilers do quadrinho original, então pode ler antes dos quadrinhos, tá? E para quem já leu a HQ, é hora de conhecer um pouquinho mais sobre a origem dos personagens dos grupos de Cotiara e Rosa.

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Uma das coisas mais elogiadas em Cangaço Overdrive é a narração em cordel. Foi uma das primeiras ideias que tive antes de iniciar o roteiro do quadrinho. Não sou poeta, mas rimar uma história não era pra ser tão complicado, afinal eu tive banda por mais de dez anos e já compus algumas músicas, certo?

Na prática o negócio foi mais complexo (imagina aí acertar texto e imagem, tendo que se preocupar com a rima e também com a métrica própria do cordel?). De qualquer forma, depois dessa experiência maluca eu fiquei doido pra fazer mais. Então para a CCXP do ano passado eu pensei que um brinde legal seria um pequeno cordel, que foi impresso e depois cortado e montado manualmente. O cordel explora a origem de alguns dos personagens da HQ. Agora é sua vez de tê-lo, clicando no link abaixo:

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Steampunk brasileiro

Lá pela década de 80 a ficção científica vivia um dos seus momentos de ouro, especialmente na literatura. Nesse contexto foi criado o tal cyberpunk (já falei um pouco sobre isso), título de um conto do escritor Bruce Bethke e que acabou definindo um novo gênero. A frase que resume o estilo é o "high tech, low life", referindo-se a um futuro extremamente tecnológico, mas de péssimas condições de vida. Já no final da década de 80, o escritor K. W. Jeter, procurando uma expressão para designar trabalhos que se passavam no passado e que remetiam aos conceitos do cyberpunk, cunhou o steampunk. Ao invés do futuro, os cenários/períodos históricos favoritos do gênero eram a Era Vitoriana Inglesa e o Velho Oeste Americano pós-segunda revolução industrial, por isso o "steam" do nome, uma alusão à tecnologia a vapor vigente na época. A principal brincadeira era imaginar estes períodos com tecnologia mais avançada. Vale dizer que depois surgiram outras vertentes, com combustíveis diferentes alimentando as cabeças dos autores: teslapunk (em alusão às primeiras máquinas elétricas), dieselpunk (diesel das máquinas nas guerras mundiais), atompunk (energia atômica) e até solarpunk (que leva a discussão de volta para o futuro, com energias limpas). Mas esses outros ficam para um próximo texto...

E no Brasil? Muita coisa stempunk tem sido lançada no Brasil nestes mais de trinta anos. Fazer uma lista é um negócio espinhoso e para essa me concentrei em trabalhos mais recentes. Lá no meu blog eu pretendo aumentar esta lista nos próximos meses (e tô guardando na agulha um texto sobre ficção científica nacional em que quero explorar os títulos mais clássicos, em breve neste mesmo canal).


Vaporpunk

O Steampunk feito no Brasil se enraizou no fandon primeiramente através de livros de contos, especialmente antologias de editoras de gênero. Embora não possa deixar de reconhecer os trabalhos de editoras como a Tarja (in memorian) e a Estronho, foi a Draco que pavimentou essa estrada, especialmente com os dois volumes de Vaporpunk. Embora livros de contos de autores diferentes costumem apresentam trabalhos melhores e piores, considero o nível dos dois livros bem alto, possivelmente por que temos alguns dos escritores mais prolíficos do gênero no país: Octavio Aragão, Flávio Medeiros, Eric Novello, Carlos Orsi, Fábio Fernandes, Romeu Martins, Dana Guedes, Nikelen Witter, Luiz Bras, Sid Castro, Jacques Barcia, Cirilo S. Lemos e Gerson Lodi-Ribeiro. Vale dizer que o primeiro volume também tem participação de autores portugueses. Esses livros foram só o pontapé para uma coleção chamada Mundo Punk, que também incluiu as coletâneas Dieselpunk e Solarpunk (que foi uma das primeiras iniciativas no gênero do mundo e já foi traduzida para o inglês). Nada como encerrar o ciclo com um livro sobre Cyberpunk, que iniciou todo o gênero, né? Na campanha que está rolando do livro, tem uma recompensa para levar TODOS os livros do Mundo Punk (mais a coletânea em quadrinhos Periferia Cyberpunk) por apenas R$ 200,00. Apoie a coletânea até o dia 29/05 e leve a coleção completa por esse precinho camarada!

Le Chevalier

Um espião francês sem passado é o indicado por Napoleão em casos em que o Império Francês precisa resolver com discrição. Iniciado num romance do escritor A.Z. Cordenonsi, Le Chevalier e a Exposição Universal, as aventuras do personagem seriam expandidas também para uma série de contos e duas histórias em quadrinhos, Le Chevalier: Arquivos Secretos Vol. 1 e Le Chevalier nas Montanhas da Loucura (com roteiros do escritor e desenhos de Fred Rubin, que eu considero o "Mignola brasileiro"). As aventuras do cavaleiro são uma boa pegada para quem gosta de histórias despretensiosas e cheias de ação.

Brasiliana Steampunk

Se na indicação anterior o autor resolveu expandir seu universo além da literatura, aqui nós vamos ainda mais longe. Estudioso da arte transmídia, o escritor Enéias Tavares toca o ambicioso projeto Brasiliana Steampunk, que concentra a história num Brasil ficcional onde personagens clássicos da nossa literatura interagem entre si. No centro das tramas, um grupo de aventureiros autodenominado Parthenon Místico. Os passos que consolidaram este universo foram dados no romance policial A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison, que narra através de cartas e "gravações mecânicas" os acontecimentos que se seguem após a prisão de um assassino serial na cidade de Porto Alegre dos Amantes. Não bastasse ter escrito um dos romances mais inventivos da ficção científica nacional, Enéias seguiu ampliando seu universo em direção a outras linguagens, incluindo vários contos, um suplemento escolar, áudios dramáticos, um jogo de tabuleiro (Cartas a Vapor), webcomics e agora uma audaciosa série em live action. Dá pra se perder por bastante tempo neste universo!

Arcane Sally & Sr. Vapor

Lançada primeiro online no Tapas em inglês e depois impressa em edição nacional numa campanha no Catarse, a história em quadrinhos Arcane Sally & Sr. Vapor é escrita pelo norte-americano David Alton Hedges com desenhos do brasileiro Jefferson Costa (La dançarina, Jeremias: Pele). Misturando os conceitos científicos do steampunk com fantasia (uma tendência nos últimos anos), acompanhamos Sr. Vapor, um agente da coroa britânica, e seu fiel valete Sr. Runnymede em caça a um criminoso que supostamente voltou dos mortos. Para isso eles contarão com uma nova e misteriosa parceira, Miss Sally. Essa edição nacional compila os três primeiros capítulos da webcomic (que é tudo que saiu até agora... Cadê o resto, Jefferson??).
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Depois quero saber sua opinião sobre o meu cordelzinho! Tem outras indicações steampunk nacionais? Comente aí embaixo. Você pode também deixar um comentário sobre este texto no meu Facebook ou no meu Instagram.

Quer me ajudar um montão na minha carreira de escritor e roteirista? Avalie os meus livros e me siga no Goodreads e no Skoob. Lá você encontra minhas últimas leituras com alguns comentários.

Já leu Quem Matou João Ninguém?, Steampunk Ladies ou Cangaço Overdrive? Se não, compre na Amazon nos links abaixo. Já leu? Ajude a espalhar a palavra do Zé e deixe sua avaliação lá no site deles!
Quer meus textos no conforto do seu e-mail? É só se inscrever neste link: http://bit.ly/listadoze

Alimentem as caldeiras, que tenho um quadrinho para terminar!

29 de dez. de 2013

Black Rocket #6 e Zinext #8

2013 foi um ano e tanto. Eu não preciso dizer muita coisa, bastam ver as postagens do blog ou a coluna do lado direito do blog com as publicações que lancei este ano. Mas a cereja do bolo foi o nascimento da minha filha. Ser pai é uma experiência que tem me moldado de diversas formas, inclusive profissionalmente. E assim defino 2013: um ano que, mais do que recordações, deixa também grandes expectativas. E quem venha 2014.

Aproveitando o ensejo, deixo meus presentes de fim de ano. Tive a oportunidade de colaborar com duas publicações em dezembro, ambas disponibilizando suas edições gratuitamente:

- Participo na revista Black Rocket, editada por Charles Dias e Carlos Relva, com um conto que mistura zumbis e natal, mas numa perspectiva mais... DOMÉSTICA. É uma versão diferente de um conto meu já publicado, um texto curtinho que você pode ler de graça clicando aqui para baixar a edição número 6 da revista.

- Participo também da versão de natal da Revista Zinext, editada pelo Francisco Oliveira (Cílio), com uma história em quadrinhos também curtinha, de apenas 4 páginas, feita em parceria com o Paulo Fernando chamada Taverna do Angus. Se você curte ficção científica e/ou física quântica vai curtir ainda mais. Você pode ler a revista completa clicando aqui.

Como as duas histórias são curtinhas, são ótimas oportunidades para quem quiser conhecer meu jeito de escrever. Abraço e bom final de ano a todos!

4 de jul. de 2011

Avarento!

Capa da antologia VII Demônios - Avareza, da Editora Estronho.
Mais uma antologia sai com meu nome, provavelmente ainda esse ano. Trata-se de mais um livro da Editora Estronho. A coleção VII Demônios é formada por sete livros de contos, cada um sobre um pecado capital. Entrarei no volume dedicado à Avareza. Conheça todos os autores deste volume: Chico Pascoal (Os doze apóstolos), Erivelton Clarindo Gomes (O tesouro do Mão Furada), Fábio D´Oliveira (Pérfido), Felipe Castilho (O dono da rua), Ghad Arddhu (Segredos sob a Égide de Mercúrio), Lemos Milani (A maleta preta), Luciano Milici (Academia inferno), Raphael Montes (O porquinho de porcelana da vovó), Rodolfo Santos (É tudo meu), Thiago Vieira (Sua Bethânia), Valentina Silva Ferreira (Águas malditas), ViviFerr (Carmen) e Zé Wellington (O trágico destino do colecionador de riquezas). Não perca as contas, são quatro antologias com trabalhos meus a serem publicadas esse ano: Quadrinhos em História (Editora Multifoco), Histórias Fantásticas - Volume 3 (Cidade Editorial), História Fantástica do Brasil (Editora Estronho) e VII Demônios - Avareza (Editora Estronho).

Depois dessa coletânea, vou interromper provisoriamente minha participação em seleções de literatura e me voltar para o lançamento do novo trabalho da Sobre o Fim (por sinal, você já deu um pulo no site para escutar a nova música?) e a conclusão de dois grandes projetos em quadrinhos. Mais novidades em breve...

E para não perder o post, fica o convite para I Sobral Pró Rock, show gratuito que acontece nesse sábado na Margem Esquerda. Abaixo o cartaz com mais informações.