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25 de mai. de 2010

Dude, we are lost!

 

Em 2004, zapeando pela web, encontrei um texto onde o colunista Roberto Sadowski, ex-editor da revista SET, indicava um seriado sobre náufragos como uma novidade de fritar o cérebro. Fiquei curioso, mas na época não era tão fácil encontrar séries pela Internet. Demoraria até que a Rede Globo anunciasse a novidade na TV aberta, num inconveniente domingo à noite. Inconvenientes também seriam os horários dos episódios seguintes, nas madrugadas dos dias letivos. Mal consegui encarar a metade da primeira temporada. Dessa forma, estacionei em Lost por alguns anos, até decidir "maratonear" todas as temporadas. Não foi um desafio muito fácil.

Por conta de falta de tempo tive que interromper várias vezes o processo. Mas fui adiante, acompanhando atrasado, inclusive, os ARGs e peças soltas pela internet (ou "Missing Pieces"). Não li os livros derivados da série, mas bem que gostaria de ter lido. Minha maratona de atualização terminou exatamente junto com o último episódio da 5ª temporada, o que me deu a oportunidade de acompanhar a 6ª quase em tempo real. Ontem assisti ao último episódio de Lost. Difícil evitar as lágrimas num episódio tão blasé, mas tão cheio de significados. Difícil, hoje, não reconhecer a série como um dos grandes momentos da TV mundial. Por que, sim, a TV, especificamente as séries, vem mudando há alguns anos. O nível de produção sofisticado a que chegamos muitas vezes nos faz confundir as atrações televisivas com um filme hollywoodiano (vide o episódio piloto da série Fringe). Não acredito que essa revolução tenha COMEÇADO com Lost (ainda colocaria na esteira, antes da série da ilha, Twin Peaks, Arquivo X, Carnivàle, The Sopranos...), mas muito foi acrescentado a partir dela.

E tudo começou com um avião caindo numa ilha numa temporada com muitas perguntas e muitas teorias. E não foram os Outros, Iniciativa Dharma ou uma série de mcguffins que mantiveram os lostmaníacos vidrados. Estávamos mais preocupados em descobrir, “tintintim por tintintim”, mais sobre as vidas de Jack, Kate, Sawyer, Locke, Hurley e muitos outros. E como conhecemos pessoas. O brilhante roteiro lidou com um infindável elenco de personagens excêntrica e intrinsecamente bem construídos. Sim, por que é fácil criar uma trama cheia de mistérios. O difícil é criar tantos personagens interessantes. E as últimas temporadas ainda propuseram uma ousada mudança de gênero: se a ficção científica explicava os acontecimentos da ilha, aos poucos a fantasia tornou-se o gênero recorrente da série.

Muitas pessoas reclamavam que não podiam assistir um episódio solto de Lost. Eu discordo em parte. Algumas histórias funcionam muito bem sozinhas, como a sensacional origem de Sawyer ("Outlaws"), a maluca viagem temporal de consciência ("The constant") e as premonições de Desmond ("Flashes Before Your Eyes") ou ainda o conto de crime que marcou o último episódio do brasileiro Rodrigo Santoro no seriado ("Exposé"). Destacam-se também os bombásticos fins de temporada, alguns deles mudando a ótica da série completamente. Tudo isso mesmo sofrendo com a greve dos roteiristas norte-americanos no meio do caminho. Agora fica aquele ar nostálgico e um buraco aberto: quem virá a substituir Lost¹? E sobre as respostas que muitos esperavam nesse último episódio, eu falo: quem se importa com elas? Nem na nossa vida encontramos as respostas que precisamos. E é sobre isso que Lost tratava.

Namastê!

¹ Muitos diziam que o buraco deixado por Lost seria preenchido pela série Flash Forward. Assisti alguns episódio e achei a série, repleta de física e carente de personagens, mais rasa que um pirex. Mas não fui só eu. A série foi cancelada nessas semanas pela baixa audiência.

26 de set. de 2008

Atualização BRUTA Semanal

Salve, salve!

Religiosamente uma semana depois de nossa (re)estréia, estamos de volta! No post passado falei algo sobre postar todas as semanas, mas como achei muito vago, resolvi ser mais específico: toda quinta-feira de madrugada cai um post por aqui. E este fala de vários assuntos. COME ON!

A TV QUE NÃO TEM NA TV
De repente descobri os podcasts. Comecei a acompanhar vários, mas um dos meus sites de cabeceira colocou no ar seu videopodcast, o que merece ser comentado. São dois episódios por semana do OMELETV, do Omelete. Os episódios estão muito divertidos, afinal não é em qualquer programa de TV que você assiste um papo cabeça de quase cinco minutos sobre o que é ser nerd. INDISCUTIVELMENTE HILARIANTE!

DE OLHO NO NOVO BESOURO
A série antigaça Besouro Verde, da qual meu sogro é um grande fã, mostrava uma dupla de heróis (Besouro Verde e Kato) na boa e velha luta contra o crime. Um dos grandes chamarizes do folhetim era que o parceiro do protagonista, o oriental Kato, era nada menos do que Bruce Lee, o chinesinho mais karatê de todos os tempos. Já fazia uma cara que tentavam tirar do papel o remake-longa-metragem da série. Parece que agora sai. E promete. Já sabíamos que outro chinês maluco, Stephen Chow, diretor e protagonista do maravilhoso Kung Fu Futebol Clube (Shaolin Soccer) e do bom Kung Fusão (Kung Fu Hustle) seria um dos produtores, e o papel de Besouro Verde ficaria para o ator e roteirista Seth Rogen, uma das novas revelações da comédia norte-americana e parceiro criativo do bam-bam-bam Judd Apatow (produtor/diretor de filmes como Superbad, Ligeiramente grávidos, O virgem de quarenta anos, etc). Essa semana, sites de cinema do mundo inteiro divulgaram que Stephen Chow, além de produtor, será Kato e ainda de cara dirigirá o filme, com um roteiro de Rogen! Seth Rogen tem escrito as melhores piadas do cinema norte-americano nos últimos anos, e Stephen Chow tem uma visão muito divertida para filmes de ação. Resultado: esse vai ser para assistir no cinema com pipoca e tudo. Apesar de não ser fã da série, guardo imenso respeito por tudo que envolve Bruce Lee, o que dá um brilho mais especial ainda ao projeto. Se você quiser conhecer o Besouro Verde original, basta sintonizar na TV paga o canal TCM, que exibe Besouro Verde e milhares de outras séries clássicas. ALTAMENTE AGUARDADO!

SMALLVILLE E HEROES (OU ASSISTA LOST)
Estrearam nessa semana as novas temporadas de duas das séries mais comentadas dos últimos anos: Smallville e Heroes. Smallville, as aventuras do jovem Superman (esquece o Superboy, Sílvio Santos!) teve um fraquíssimo primeiro episódio, da que pode ser sua última temporada (oitava). A temporada passada, na minha humilde opinião, foi uma das piores (salvo pelos episódios que tem a participação da Liga da Justiça e outros personagens da DC, pouco se aproveita). A série claramente vem perdendo seu charme. Os dois produtores originais já deram o fora desta última (?) temporada, o que em minha opinião não é um bom sinal. Heroes também não veio de uma boa temporada. Por conta da greve dos roteiristas, teve que se contentar com apenas 11 chochos episódios no seu segundo volume. Muitos dos defeitos desse último retornam nos dois primeiros episódios do terceiro volume. São os velhos clichês (ou seriam plágios?) de sempre... Afinal, a história de Level 5, grande estopim da temporada, já tinha sido explorada em Smallville com seu Level 23 (é isso mesmo?!), uma prisão secreta para superpoderosos. Cadê a criatividade dos roteiristas? Falta ainda suspense e calma para desenvolver a história. Mas ainda é cedo para falar das duas séries. Talvez até eu só esteja mal acostumado. Fiquei bem mais exigente em se tratando de séries quando comecei a me desatrasar em Lost. Contrariando os elogios do meu irmão (um fanático pela série), demorei a começar a assisti-la. Atualmente estou no meio da segunda temporada (das quatro existentes) e o que posso dizer... Lost é uma das coisas mais sensacionais que já vi. Cada episódio tem uma produção digna de filme hollywoodiano. Os roteiros bem amarrados vão prendendo sua atenção até você se perceber obsecado por cada detalhe em cena. DEFINITIVAMENTE RECOMENDADO!

A VIRADA DO PEBA
Faltava um comentário no meu blog sobre a arrasadora seqüência cinematográfica que veio se tornar o maior blockbuster do cinema da minha cidade. Não, não estou falando de Batman – O Cavaleiro das Trevas*. Os insanos sobralenses das autodenominadas Organizações Kootooko lançaram no final de agosto o longa-metragem Golpe do Peba 2 – Porradaria Universal. Foram três dias de filas e lotação total nas duas salas do Cinema Renato Aragão. Pude prestigiar o filme e comprovo a evolução em relação ao primeiro. Produção mais caprichada, edição eficiente, lutas coreografadas e as mesmas piadas bestas com sabor sobralense. Um clássico nordestino instantâneo. Fica ainda mais engraçado para quem é de Sobral, pelo passeio pelas conhecidas locações. É quase um grande vídeo institucional da cidade, só que cheio de palavrões e efeitos especiais toscos. SIMPLESMENTE SENSACIONAL!

AUTOMERCHAN 1
Já que estamos falando de Sobral, divulgo através do meu blog o lançamento do primeiro vídeo-clipe da minha banda, Sobre o Fim, dirigido e editado por mim mesmo. A música escolhida foi o nosso “hit”, Sobre prisões e guerras, canção criada pelo meu companheiro de banda Helder “The Machine” Lemos. Filmamos em cinco horas sem gastar nenhum tostão, e até que não ficou de se jogar fora... Clique aqui para assistir. Muito bom voltar a trabalhar com vídeo depois da minha experiência com um curta-metragem uns tempos atrás. Agora é sentar e planejar o próximo (rumo a MTV!). INDISCRETAMENTE PRETENCIOSO!

AUTOMERCHAN 2
Depois de quase um ano, meu grupo de quadrinhos conseguiu lançar a segunda edição do Gattai Zine. São duas histórias: Camaleão, de Wescley “mazela” Braga, e MetalGênesis, de Alex Soares e de meu graaaaaaande amigo Totoro (mais conhecido por aí como Sílvio Romero). Tive o prazer de editá-la, e ficou legal, viu? Tudo indica que a próxima edição sai com dois roteiros meus. INDUBITAVELMENTE EMPOLGADO!


NÃO DEIXE DE VER: The Mindscape of Alan Moore
Sou fã inveterado de Alan Moore (roteirista de Watchmen, V de Vingaça, Do Inferno e milhares de outros clássicos dos quadrinhos). DeZ (com Z maiúsculo mesmo) Vylens teve a oportunidade de filmar o lindíssimo documentário The Mindscape of Alan Moore (sem nome em português e muito menos sem previsão para sair no Brasil). Quadrinhos? É quase um assunto secundário no filme, que mostra a opinião de Moore sobre os mais variados temas, como fama, sexo, religião e magia. O interessante é ver a mente doentia do bardo inglês criar relações entre esses assuntos. Moore dá uma verdadeira aula de filosofia e mostra (para quem ainda tinha dúvidas) que é definitivamente um GÊNIO. Enquanto não sai no Brasil, não nos resta outra opção a não ser levantar a bandeira pirata, certo? EXTREMAMENTE RECOMENDADO!

E para terminar uma nota sobre o adiamento do MASA 5, evento que organizo na minha cidade voltado para o público de animê e quadrinhos. Não fiz em nenhum lugar e muito menos será aqui que apontarei os motivos e culpados (se é que existem) para que tenhamos cancelado há exatos 30 dias do evento o que poderia ser um dos grandes momentos do entretenimento sobralense, a confirmação do quão grande o MASA havia se tornado. Simplesmente existem dificuldades que você não pode dobrar sozinho. Existem momentos em que essas dificuldades trespassam os limites e te impedem de dar atenção a outras prioridades na sua vida. E aí é o momento de parar e colocar numa balança se vale a pena acreditar naquele sonho ou se já é hora de passar para o próximo da lista. Nós simplesmente precisamos de tempo para pensar sobre isso. Espero que todos possam compreender.

Entonces... Hasta jueves!

* Acho que faltava dizer isso aqui no blog: QUE PUTA FILME!