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19 de nov. de 2021

Como publicar meu livro ou quadrinho? (Lista do Zé #36)

 

Eu sou capaz de apostar que, se você é um escritor ou quadrinista no início de carreira, está cheio de dúvidas sobre como tornar viável seu próximo (ou primeiro) trabalho. Era uma das minhas grandes dúvidas. Hoje eu queria falar aqui sobre algumas formas possíveis de colocar o seu trabalho na rua, na mão do leitor.

Mas, primeiro…

Esse tema não foi escolhida à toa. Eu mesmo vou experimentar uma nova forma de financiar e distribuir meu novo trabalho. Depois de alguns anos usando o combo edital-editora, chegou a hora de me arriscar no financiamento coletivo, ainda em parceria com a Editora Draco, que sempre comprou minhas ideias. É dessa forma que queremos colocar no mundo uma inédita edição impressa de “Mata-mata”, ebook que lancei no final do ano passado. Essa versão inclui uma nova revisão do material lançado online e ainda uma série de contos, cordéis e ilustrações que contam o ANTES e o DEPOIS da história original. Sim, é a hora de entender melhor a família Tainha, se embrenhar nos confrontos entre irmãos no evento Mata-mata e saber o que aconteceu com os personagens principais depois do trágico fim do ebook.

A campanha também vai nos ajudar a reimprimir alguns trabalhos meus que estão esgotados (se está faltando alguma HQ minha na sua coleção, fique atento) e ainda a pôr no mundo um OUTRO trabalho meu. Mas sobre esse livro novo eu falarei na próxima semana…

A campanha está prevista para começar no próximo dia 25/11 (quinta-feira), com condições especialíssimas para os primeiros apoiadores. Por isso mesmo, convido você a clicar no banner abaixo e se cadastrar para ser um dos primeiros a receber as novidades sobre o projeto no site da pré-campanha:

 

Clique na imagem para saber mais e apoiar o projeto

As formas de publicar seu primeiro trabalho

Esse texto não pode iniciar de outra forma que não seja essa: você não precisa de dinheiro para colocar suas histórias no mundo. Se sua vontade é apenas colocar para fora o que está dentro de você, existem um monte de formas para divulgar gratuitamente seus textos pela internet, seja em redes sociais para escritores, como o Wattpad, e quadrinistas, como o Tapas, ou mesmo publicando online na Amazon. Nem há cem anos grana era um impedimento para publicar, imagina agora.

Mas a verdade é que muito escritor ainda tem aquele fetiche de ver o seu trabalho impresso, o que leva a custos de impressão. E mesmo quem fica tranquilo em colocar seu trabalho apenas no mundo digital pode querer pelo menos contratar alguém para editar, revisar e diagramar o trabalho (entre outros serviços), que fazem uma diferença BRUTAL na forma como as pessoas vão ver um livro. Mas como bancar isso?

A primeira forma é do próprio bolso. Reza a lenda que o escritor André Vianco bancou a produção do seu primeiro livro com o seu FGTS. Sem dúvidas, se você tem essa possibilidade, é aquela em que haverá mais liberdade para desenvolver o seu livro. Se você quer apenas ter o gostinho de ver seu trabalho pronto, essa modalidade cumprirá esse papel. Mas, mesmo dispondo dos recursos para isso, pense que essa autopublicação pode deixar você com um monte de livros no guarda-roupa e não cumprir a função de apresentar devidamente seu trabalho para os leitores, por conta das próprias limitações que o autor tem para divulgar e distribuir seu trabalho sozinho. Eu gosto sempre de sugerir que essa seja a última alternativa. Vamos explorar outras possibilidades, pela ordem que eu sugiro que você as procure.

Quando se fala do mercado editorial, lembra-se logo das editoras. Com uma boa editora (e aqui friso o “boa”, porque existem as que não são também) seu trabalho pode chegar a mais gente, fora o acabamento profissional que uma editora pode dar. O processo de publicação por elas varia bastante, mas geralmente você procura no site ou outros canais de comunicação da editora as chamadas regras de submissão ou de envio de originais. Geralmente você envia o original pronto do seu livro para que ele seja lido por alguém da editora... e espera. O mais comum é que as editoras respondam apenas aos autores dos livros que ficaram interessadas e essa resposta pode demorar meses. A sugestão é: 1) estudar bastante as editoras disponíveis e mandar para aquelas que possuam uma linha editorial próxima da sua história (procure editoras com livros que pareçam o seu) e 2) se nas regras da editora que é seu alvo não falar nada do contrário, envie seu original para mais de uma editora ao mesmo tempo. Aí, aguarde dois ou três meses (tempo médio para análise). Se não tiver resposta, parta para o próximo passo.

Já falei em outro texto sobre editais, mas resumindo bem resumido: você participa da seleção de um órgão governamental ou de uma empresa que está disposta a patrocinar a publicação de seu livro ou HQ. Participar de editais exige primeiro que você esteja de antena ligada para saber quando eles estão abertos (usar alertas no Google pode ajudar bastante). As seleções normalmente são bem concorridas e eu nem considero essa a parte mais difícil desse processo. As principais complicações são: 1) você vai gerir a grana que receber para fazer o seu livro, logo terá que gerenciar e articular todos os prestadores de serviço necessários, e 2) envolve muita, mas muita burocracia. Se você lida bem com o ponto 1, mas não com o ponto 2, talvez a próxima modalidade sirva melhor para você.

O crowdfunding, ou financiamento coletivo, surgiu para que você possa mobilizar pessoas que gostam ou acreditam no seu trabalho no sentido de viabilizá-lo. Você vai criar um projeto num site próprio para isso, como o Catarse ou o Kickante, e vai divulgar o máximo possível para outras pessoas. Hoje já existem várias modalidades de crowdfunding, na mais comum você define uma meta financeira e tem um prazo entre 40 e 60 dias para arrecadar a grana que precisa. Se conseguir atingir a meta, parabéns, você vai receber a grana que precisa para viabilizar seu livro. Se não conseguir, você não recebe nada (claro) e o dinheiro é devolvido para quem te apoiou. Essa é uma outra forma interessante de não depender de ninguém. Por outro lado, exige MUITA organização, desde o momento em que você tem que definir o valor que precisa, com muito cuidado para não faltar dinheiro, passando pela eletrizante fase de divulgar o trabalho e chegando até o momento de enviar as recompensas para os apoiadores do projeto. Todas essas fases exigem bastante planejamento. Já vi colegas construírem suas carreiras baseadas em crowdfunding com muito sucesso. E já vi outros enlouquecerem em campanhas e prometerem nunca mais se meter em algo do tipo. Analise bem como funciona esse processo antes de entrar nele. Por sorte, as plataformas oferecem ajuda para os proponentes.

Lembrando que você pode misturar modalidades, como edital para financiar a produção somada com crowdfunding para distribuir ou ainda crowdfunding para arrecadar fundos e editora para distribuir etc. São vários caminhos, estude o que os outros autores estão fazendo e encontre o seu. Só não vale guardar suas ideias só para si.


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17 de jan. de 2021

Como começar uma história (Lista do Zé#33)

 

Eu acho que estava dentro de um ônibus quando uma história começou a nascer. Eu olhava para as margens semiáridas da estrada que partia ou chegava em Sobral, minha cidade, quando comecei a sonhar com uma história de… samurais. Era a história de um assassino aposentado. Agora ele era mendigo nas ruas de uma grande metrópole e, depois de receber a visita de um repórter, se viu obrigado a voltar à ativa contra a organização que o ensinou sobre a arte de matar. A história veio assim, quase toda, incluindo algumas boas ideias para um final (algo que acontece raramente). Estava com outros mil projetos na época, então anotei a ideia em vários pedacinhos de papel e pendurei num flanelógrafo no meu escritório. Quanto tempo essa ideia passou lá? Vou chutar aqui que uns cinco anos.

Essa introdução toda é apenas para iniciar uma conversa sobre um assunto que interliga várias perguntas comuns ao escritor iniciante: a) de onde vêm as ideias para as histórias ou b) como ter ideias para histórias ou c) por onde começar uma história. A resposta para essas perguntas é muito imprecisa, mas tem alguns caminhos mais comuns.


A maior parte das minhas ideias surge quando estou lendo um livro ou quadrinho ou assistindo um filme ou série. Quase sempre é um “e se...?”, uma variação daquilo que estou vendo. Eu nunca consigo desligar meu cérebro de escritor, nem mesmo quando estou com o material de outro artista. Isso significa que eu fico tipo público de show de mágica, tentando descobrir o segredo do truque daquilo que estou lendo/vendo. O truque, no caso, é descobrir a) como estão conseguindo me manter interessado naquela obra e b) como aquilo vai acabar. O item “b” é sempre muito interessante para gerar novas ideias… Às vezes eu tento adivinhar o final da história e falho miseravelmente. Aí eu olho para aquele final que eu pensei e, se eu achar ele melhor do que o que eu acabei de ver, provavelmente eu vou guardar aquela ideia de tentar “recontar” aquela história.

“Mas, Zé, isso não é plágio?”. Em alguns casos, pode ser. Então, CUIDADO. Eu poderia aqui indicar (e indico fortemente) que você veja o documentário Everything’s a remix, que explica que, no fim das contas, toda criação deriva de uma mistura de várias coisas que vieram antes, mas, antes, prefiro dizer que respeito muito as criações de outros colegas. Quando a vontade de recontar uma história vem, ela tem de vir junto com soluções que diferenciem a minha história daquela que deu origem a ela. Uma coisa que sempre me deixa muito tranquilo é que uma ideia minha passa por MUITOS tratamentos (uma forma de chamar as revisões e reconstruções da história, enquanto ela ainda está sendo criada). São tantas idas e vindas, que é muito provável que qualquer coisa que assemelhe a minha história a outra que a inspirou vire um sopro no produto final. Construir uma história inspirada em outras é o caminho mais comum do escritor iniciante, que muitas vezes quer fazer seu próprio Cavaleiros do Zodíaco, X-Men, Senhor dos Anéis ou Star Wars. O grande desafio é encontrar a forma de se inspirar sem ser um genérico. Às vezes a gente só precisa olhar um pouco ao redor.

Ideias podem vir também da simples observação do mundo. Já dizia o poeta Jessier Quirino que escritores são “prestadores de atenção”. Uma situação que você observou ou, MELHOR AINDA, que aconteceu com você, pode ser o pontapé inicial para uma história. Uma coisa que aprendi é que as melhores histórias que já contei são aquelas que advém de coisas que mexeram comigo. É muito provável que falar sobre algo que incomoda você faça muitas outras pessoas se identificarem com a sua história. Lembro de ouvir um podcast com o escritor e quadrinista Lourenço Mutarelli falando sobre seu método criativo, que constava em sentar numa praça, observar as pessoas e tentar imaginar o que elas estavam passando naquele momento. Em Steampunk Ladies: Choque do futuro, há uma sequência onde dois garotos fazem pouco de uma garota quando ela os convida para brincar de boneca. Essa cena é inspirada numa situação vivida por mim, quando flagrei um garoto fazendo pouco da minha filha numa situação parecida. Quem já leu a HQ sabe que a garotinha dá a volta por cima. É assim que escritores se vingam da vida real: escrevendo histórias.

Corta agora para o final de 2020: surge um edital da Lei Aldir Blanc na minha cidade (já falei sobre editais aqui). Foram várias seleções de projetos pelo Brasil nessa lei e a principal característica de todos era um prazo apertadíssimo. Mas que história eu inscreveria naquele edital, tendo ela que ser inédita e precisando estar pronta em menos de dois meses? Olhei para o flanelógrafo e vi os papeizinhos recortados da ideia que tive na estrada. Parecia boa, mas ainda me incomodava, porque parecia demais com outras histórias que já vi por aí. Para não cair no risco de copiar algo involuntariamente, eu precisava adicionar alguns elementos em busca de alguma originalidade. Foi aí que meu senso de prestador de atenção entrou em ação.

Na minha adolescência, a chegada de um garoto novo na escola causou estardalhaço por conta de um boato que correu pelos corredores: ele seria sobrinho de um famoso pistoleiro do estado. Se aquilo era verdade ou não, eu nunca vou saber. O fato é que essa história voltou na minha cabeça quando peguei aqueles papeizinhos, me fazendo transformar toda a ideia, começando por uma mudança de cenário para o Ceará. Claro que essa mudança também vem do meu atual movimento de escrever mais sobre coisas que estão ao meu redor. E assim nasceu Mata-mata: uma história sobre pessoas que vivem para matar outras (uma ideia construída em cima de outras), mas também uma história sobre família e legado (uma vivência).

Tudo isso começou com samurais, dá para acreditar? Engraçado que, relendo a história, comecei a entender melhor o porquê da arma da última morte, algo que rolou inconscientemente, eu juro...

De onde vem as inspirações para suas histórias?

 

Baixe Mata-mata gratuitamente clicando na imagem abaixo:

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29 de nov. de 2020

Meus próximos lançamentos, em primeira mão (Lista do Zé #32)


Olá, olá!

É hora de revelar mais detalhes dos meus DOIS próximos lançamentos! E o melhor: por conta da CCXP Worlds, você já pode garantir suas cópias em pré-venda com condições especialíssimas.

Meu próximo quadrinho, Luzia, citado num e-mail anterior desta lista, já pode ser adquirido por apenas R$ 29,90 (frete incluso). Estamos nas etapas finais da HQ, então a previsão de envio é de até fevereiro de 2021. Mas, nesse exato momento, nós e a editora estamos dando o gás para que o livro esteja na sua casa antes disso. O fato é que só agora você terá o menor preço com frete incluso, então aproveite por que esta oferta só é válida até o dia 6 de dezembro. Garanta a sua aqui!

E tem lançamento surpresa: volto à literatura com a noveleta policial Mata-mata. E para você que está lendo este e-mail, é daquele jeito que eu sei que você adora: GRATUITO. Lançado (por enquanto) apenas em formato digital, este livrinho é um projeto transmídia que contará ainda com ilustrações, trilha sonora e até um áudio drama. O lançamento oficial será no dia 27 de dezembro e você pode garantir o seu agora sem nenhum custo. Você faz a "compra" na minha loja e no dia do lançamento o livro será enviado para o seu e-mail. Garanta o seu aqui!

Para saber mais sobre os lançamentos, role o e-mail um pouquinho para baixo. Falo também da minha participação na CCXP Worlds neste mesmo texto, incluindo uma intensa programação de eventos ao vivo, com palestras e bate-papos. Te espero lá!

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A Grande Seca, como foi conhecido um grande período de estiagem ocorrido no Nordeste de 1877 a 1879, foi o mais devastador fenômeno de seca da história do Brasil, e pode ter sido responsável pela morte de até meio milhão de pessoas. Em meio a uma multidão de retirantes no sertão de Sobral, cidade do interior do Ceará, Luzia sonha com uma vida melhor, enquanto lida com a doença da mãe e o assédio de um soldado. Por ter músculos fortes, força incomparável e características masculinizadas, ela ganha a alcunha de "Luzia-Homem". Mesmo neste clima desfavorável, a retirante vê florescer uma nova amizade e também um grande amor.

Adaptado para o cinema e para o teatro, Luzia-Homem é um clássico absoluto da literatura brasileira. Publicado pelo escritor cearense Domingos Olímpio no ano de 1903, descreve as agruras do sertanejo num dos períodos mais difíceis da história do Ceará, enquanto trata de temas como assédio e violência de gênero. Luzia é uma adaptação inédita do romance para os quadrinhos e tem roteiro de Zé Wellington (Cangaço Overdrive, Steampunk Ladies) e desenhos de Débora Santos (Gringo Love, Pombos). Este projeto é apoiado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura - Nº 13.811, de 16 de agosto de 2006.

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Lançamento oficial em 27 de dezembro
Garanta sua cópia digital gratuita


Durante os anos 1980 e 1990, o Ceará e boa parte do Nordeste viveram um período caótico, no auge dos tempos de pistolagem. Políticos guerrearam muito além do campo das palavras, utilizando pistoleiros para executar adversários. Esses controversos matadores ganharam fama no período e eram temidos principalmente nas pequenas cidades. Já nos dias atuais, quando este período parecia ter ficado para trás, um assistente social se envolve no último serviço de um pistoleiro aposentado.

Mata-mata é uma noveleta de Zé Wellington, escritor e roteirista de histórias em quadrinhos como Cangaço Overdrive (semifinalista do Prêmio Jabuti) e Steampunk Ladies (vencedora do Troféu HQMIX). Esse projeto é financiado pela Chamada Pública 003/2020-SECJEL com fundamento na Lei Federal 14.017/2020, Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural.

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Na impossibilidade de realizar um evento presencial, a CCXP este ano segue para uma inovadora versão online. É só zapear pelo site oficial do evento pra ver que eles não estão de brincadeira. Além de uma incrível lista de convidados que inclui Neil Gaiman e Art Spiegelman, o evento vai oferecer uma experiência que foge do formato de conferências online que se popularizou durante a pandemia. Além disso, está garantido o espaço dos artistas, renomeado nesta versão para Artists' Valley. Uma boa parte do evento poderá ser acessado gratuitamente. Garanta seu acesso ao evento aqui.

Este aqui é o link do meu perfil na Artists' Valley da CCXP Worlds!

Por enquanto meu perfil tem apenas um preview das minhas HQs. Mas durante os dias do evento (04 a 06/12/20), você terá acesso a uma loja com meus produtos com preços muitos especiais e poderá interagir comigo e outros convidados em vários horários através de eventos online, que poderão ser assistidos através da plataforma da CCXP ou pelo Youtube. Na falta do contato pessoal com os leitores no evento, através do meu canal do Youtube (inscreva-se aqui) e também de outros colegas, vamos poder conversar sobre diversos assuntos em transmissões ao vivo. Confira os dias e horários abaixo:

04/12 (sexta-feira)


05/12 (sábado)
06/12 (domingo)