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6 de abr. de 2009

Quem quer ser um vampiro adolescente?

Fala, moçada! Antes tarde do que nunca, venho falar um pouco sobre minhas duas últimas experiências no cinema: Crepúsculo e Quem quer ser um milionário?. De bônus, comento o DVD Watchmen - Contos do Cargueiro Negro.

Malhação vampírica

Fiquei muito desapontado com a versão cinematográfica do best-seller Crepúsculo (Twilight), de Stephenie Meyer. Não que eu esperasse muita coisa de um filme da mesma diretora de Aos Treze (já vi várias boas críticas desse filme na Internet... eu sinceramente NÃO recomendo), mas cheguei a ler as primeiras páginas do livro e tenho a obrigação de dizer que ele é bem decente. Sou obcecado por romances de vampiros e achei muito interessante a forma como a autora escreve. Não é uma Anne Rice, mas prefiro os adolescentes lendo esse livro do que assistindo Malhação. Acontece que o filme acabou se tornando mesmo uma Malhação com vampiros... Faltou ao filme a ousadia que sobra no livro, e tive a impressão de estar assistindo uma produção da Globo... Os efeitos especiais me deixaram extremamente sem jeito de tão primários, algo estranho para uma adaptação de um dos livros do momento... Talvez o problema não seja esse, e eu apenas esteja velho demais para ver vampiros em um filme tão iluminado e colorido...


Cidade das Índias

Você já viu algo da novela global Caminho das Índias? Nos poucos relances que tive oportunidade de ver, percebi uma Índia rica e colorida, onde repentinamente as pessoas começam a dançar a dança do ventre na sala de casa, sem motivo aparente nenhum... Já em determinado momento do filme Quem quer ser um milionário? (Slumdog Millionaire), o carro de um grupo de turistas é assaltado, e o personagem principal exclama para eles: "Você não queria conhecer a verdadeira Índia? Essa é a verdadeira Índia!". Esse é apenas mais um dos momentos belíssimos do novo filme de Danny Boyle, que conta a história de Jamal, um jovem que está preste a ganhar um prêmio milionário em um programa de perguntas na televisão (leia-se: Show do Milhão). Só que tudo isso não passa de um mcguffin para mostrar o lado pobre de Mumbai e os desafios que Jamal e seu irmão mais velho encararam durante seu duro amadurecimento. Difícil não comparar o filme ao clássico Cidade de Deus... Também pudera, com uma belissíma fotografia, uma edição moderna e um ótimo roteiro Quem quer ser um milionário? se diferencia pelos detalhes que te lembram que você está na capital indiana: o amor dos indianos pelo cinema e pelo cricket, os maiores call centers do mundo (você sabia disso?), o Taj Mahal... Vencedor de oito Oscar, a película trouxe reconhecimento no tempo certo para o inglês Danny Boyle, diretor de filmes como o cult Trainspotting - Sem limites e do incompreendido A praia. Melhor que isso tudo só a coreografia do elenco no final do filme, como em todo bom musical de Bollywood.

CURIOSIDADE:
da mesma forma que Crepúsculo, Quem quer ser um milionário? também é uma adaptação de um livro para o cinema.


Mais Watchmen


Assisti nesses dias os dois "complementos" de Watchmen - o filme: Contos do Cargueiro Negro (Tales of the Black Freighter) e Sob o capuz (Under the hood). Em Contos do Cargueiro Negro, temos a HQ que estava dentro da HQ Watchmen, com a macabra história de um náufrago, aqui em formato de animação, com o personagem principal dublado por Gerard Butler (o Leonidas, de 300). Dentro do quadrinho essa história faz todo o sentido do mundo, mas sozinha não faz tanto assim... Já Sob o capuz é um interessante documentário que se aprofunda no mundo de Watchmen a partir da visão de Hollis Mason, o primeiro Coruja. Na verdade, o documentário é uma forma de compensar a falta que os trechos do livro de Mason (que também tem o nome de Sob o capuz) fazem no filme. Os dois têm pouco mais de 20 minutos e se juntarão ao filme na versão do diretor, que terá uma hora a mais e sairá no futuro DVD do filme. Eu sinceramente recomendo que você vá o cinema e assista ao filme e, caso você ainda não tenha lido a HQ, só veja esses complementos já inseridos nessa montagem final em DVD. Com certeza vai dar uma base bem melhor do que é a HQ (mas só uma base, pois a experiência da HQ você só sente LENDO a HQ). Se mesmo assim quiser ver esses curtas, ambos sairão no Brasil no fim desse mês em um DVD.



8 de mar. de 2009

Watchmen: eu vi!

Uma vez um amigo me disse que nunca leria O Senhor dos Anéis. "Pô, assisto o filme e pronto". Talvez seja isso que sempre me preocupou em adaptações para o cinema. É mais cômodo e fácil trocar um grande maço de papel por algumas horas numa poltrona confortável. Ok, O Senhor dos Anéis é um grande filme. Mas com certeza fica muito aquém dos detalhes do livro que lhe deu origem. Muitos podem dizer que depois de assistir o filme, alguns lerão o livro. Mas esses já não vão ver a história da forma como ela foi concebida por seu autor. Acho que é por isso que Alan Moore sempre repugnou as adaptações de suas HQs para o cinema e sempre fez o possível para tornar suas obras infilmáveis. Uma obra de arte (seja um quadro, um livro, uma música ou que for) é filha de sua época e carrega em si o peso de sua própria linguagem. Então, amigo leitor, saiba de cara: NÃO HÁ COMO COMPARAR A HQ E O FILME DE WATCHMEN. O quadrinho é alardeado como um dos grandes momentos da nona arte. O filme apenas traz à tona ao mundo, de forma bem simplificada, o que muitos, como meu amigo no início do texto, não leram (e nem lerão) na versão impressa. Zack Snider conhecia bem a responsabilidade que havia lhe sido incubida e preferiu não se arriscar. Temos em Watchmen - o filme boa parte dos diálogos e quadros dos quadrinhos, momento a momento. Mas ainda faltam as várias hisórias paralelas da HQ, que não caberiam nas já longas duas horas e quarenta de filme. É frustante ver o primeiro contato de Rorschach com seu psiquiatra, que no filme encerra o relacionamento entre eles ali mesmo. Sem contar a história dos dois Bernies, Os Contos do Cargueiro Negro (que estarão disponíveis em DVD no final desse mês em animação), etc... Como dizem por aí, Watchmen é realmente infilmável. Mas está aí, filmado, nas salas de cinema, e, pasmem, é um GRANDE FILME também. Teve toda a pompa de um grande filme e foi adaptado em alguns pontos para um grande público (com belíssimas cenas de ação com a marca de Snyder), mas sem deixar de ser uma obra densa e pensativa. Não vai mudar o cinema como a HQ mudou os quadrinhos, mas vai mudar a forma como muitas pessoas vêem os quadrinhos de super-herói, o que já é um grande passo. Quanto às tramas paralelas, como a que acontece entre Rorschach e seu psiquiatra, para saber como termina isso, você vai ter que tirar seu traseiro da poltrona confortável e ler umas das obras mais importantes da literatura mundial.